A adolescência – para àqueles que tem a possibilidade de vivê-la, já que a tantas pessoas é negada – continua sendo aquele momento turbulento no qual nos vemos perdidos entre as brincadeiras da infância e seus sabores, com as responsabilidades da vida adulta e seus horrores. O mundo parece confuso demais com as mudanças do corpo, com as decisões a serem tomadas e, principalmente, com os adultos que os rodeiam.

Com amor, Simon” é mais um filme que mostra o drama adolescente que é lidar com sua família, amigos, escola e, principalmente, com os primeiros amores. Seria ótimo se essa pudesse ser sua única descrição. Mas não é. O filme trata da ainda persistente dificuldade de ser homossexual e, mais ainda, de como ainda é necessário que isso seja anunciado para os outros.

O filme, por meio de questionamentos do protagonista Simon, faz uma divertida e inteligente montagem questionando o porquê de homossexuais precisarem, em algum momento, ir a público e afirmar a homossexualidade, enquanto que heterossexuais não precisam encarar seus pais, amigos, a sociedade e dizer “sou heterossexual”.

 

 

Seguindo o tom jovem e descontraído o longa apresenta como os adultos – costumam – ser esquisitos e caricatos para os adolescentes. Em especial aqueles que tentam parecer descolados e antenados com a nova geração, como o diretor “amigão” do colégio. Ou o pai com todas as típicas piadas do “tiozão do pavê”.

Além da angústia de ser assumir ou não, também vemos as complicações de se apaixonar e não ser correspondido, e como todas essas decisões podem afetar as relações com amigos e outras pessoas queridas.

Em um bom paralelo com a dinâmica da vida adolescente que oscila rapidamente – e sem contradições – entre o choro e os sorrisos, “Com amor, Simon” é um filme que toca temas importantes sem ser pedante, e consegue mesclar com fluidez o drama e seus alívios cômicos.

O filme produzido e distribuído pela Fox estreia amanhã em todo Brasil e é a adaptação de livro homônimo de Becky Albertalli, lançado pela Editora Intrínseca.

Henrique Castro (ou Kpeta) é nerd e gosta de contar piadas, causos e trocadilhos, é psicólogo e professor, mas queria ser piloto de avião, rockstar e ter um podcast de ciências.

1 thought on “ASSISTIMOS “COM AMOR, SIMON”

  1. Tô louca pra ver o filme, li o livro ano passado e meu coração ficou tão aquecido com ele… fazia tempo que não ficava assim. ❤❤❤

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