cabana

Eu moraria naquela cabana!

DISCLAIMER

Para fazer esta crítica de forma mais honesta possível, eu preciso fazer um disclaimer:

Não sou religiosa de forma alguma. Este enredo não conversa comigo de nenhuma maneira (a não ser para reforçar meu ateísmo). Dito isso, vou analisar a obra com neutralidade.

SEM SPOILERS

A Cabana é adaptação cinematográfica do livro homônimo do autor William P. Young, lançado em 2007. A obra virou bestseller mundial e chegou a ganhar o Diamond Awards por ter passado a marca das 10 milhões de cópias vendidas. O enredo é de cunho religioso e conta a história de Mack (Sam Worthington), que depois de passar por uma tragédia em sua família, se encontra com deus numa cabana.

Linha temporal

A grande falha deste filme é nítida logo nos primeiros dois atos. A linha temporal foi pessimamente explorada e o espectador que não conhece o livro, certamente ficará perdido. O uso de flashbacks não foi uma boa escolha e a passagem de tempo não fica clara.

Há um período entre a tragédia, a Grande Tristeza (como é chamado no filme) e o ápice do encontro com deus e tudo o mais. Este período pode ser de um mês, um ano … não fica claro e isso me incomodou bastante.

Vem cá que vou te mostrar um negócio …

Outro recurso que me incomodou muito foi o do suspense em volta de coisas banais. A cada cena, deus tinha algo novo e maravilhoso pra mostrar à Mack e o discurso era sempre o mesmo.

  • “Atrás desta porta tem algo que quero te mostrar”
  • “Venha comigo que vou te contar um segredo da vida”
  • “Suba esta montanha e você achará uma coisa legal”
  • “Amanhã te mostro uma parada mágica”

Sério. Faz uma rodinha na fogueira e conta tudo de uma vez, ele tem pouco tempo pra ficar ali. Tudo era importante demais, tinha significado demais.

Paraíso dos clichês

(OK … não consigo criticar com neutralidade nesta parte, então me desculpem)

Clichês religiosos não faltaram durante as 2h e 12 minutos de filme. Teve luz mágica, teve jardim, teve paraíso e teve gente andando sobre as águas numa cena de CGI feita no Movie Maker pelo sobrinho do diretor. Teve perdão à assassinos e homens que batiam em mulheres. Acho melhor parar por aqui.

Um cenário de tirar o fôlego

Claro que gostei de algumas coisas! O cenário do filme é de encher os olhos e as atuações estão boas na medida do possível. Palmas para Octavia Spencer que está sempre maravilhosa.

Destaque para as perguntas que desafiam as crenças religiosas, sobre bem e mau, sobre amor e ódio. Me senti representada nesses momentos.

E nosso veredito é …

Nota: 3/10

Não posso avaliar a veracidade do filme comparada ao livro, mas acredito que tenha sido fiel por ser uma história relativamente simples. Não me toca, mas a sala de cinema estava cheia de pessoas emocionadas.

Criadora do Yada Yada, produtora de conteúdo, youtuber, podcaster. Fã do mundo do entretenimento nerd desde adolescente, tem como hobbies os filmes, seriados, livros e jogos. Sempre perde a cabeça com as promoções da Steam e é especialista em ficar pistola a qualquer momento do dia.

3 thoughts on “Crítica A Cabana (2017)

  1. Oi Melissa. Li o livro e pretendo ver o filme. Diferente de você, eu tenho uma crença religiosa, mas não considero A Cabana como um livro “religioso” e nem o verei como tal, pois ele apresenta um Deus, digamos, um tanto diferente. Mas eu só queria fazer uma ressalva em sua crítica, quando você disse que “Destaque para as perguntas que desafiam as crenças religiosas, sobre bem e mau, sobre amor e ódio. Me senti representada nesses momentos”. Não sei bem quais perguntas foram essas, se são iguais ao livro ou não, mas independente disso, queria deixar algo para a sua reflexão. Critica-se muito sobretudo os cristãos, os chamando de hipócritas porque não amam os outros como Jesus ordenou, ou mesmo que não amam os seus inimigos, como o mesmo Jesus também ordenou. Não entrarei no mérito dessa discussão, pois ela não é tão simples assim e nem tem a ver com o filme, porém, pareceu pela sua crítica que não gostou da parte do perdão a assassinos e espancadores de mulheres. Mas aí que está… O amor passa pelo perdão, e se o filme tiver algo parecido com o livro, ele deve tratar disso. Sei que é difícil perdoar pessoas ruins ou que nos fizeram algum mal. Só que se a gente não ama e perdoa, somos chamados de hipócritas e propagadores de ódio; mas se amamos e perdoamos somos frouxos, burros, trouxas… Fica meio difícil. rsrs. É uma discussão bastante recorrente ultimamente sobretudo em redes sociais. Acredito sim, que quem comete um mal mereça punição (até porque Deus é amor, mas também é justo), mas também acredito que as pessoas merecem segundas chances, como já vimos em diversos bons exemplos por aí de pessoas que deram a volta por cima. Pra encerrar, quero dar parabéns a você, pois tenho acompanhado seu trabalho no Jovem Nerd e está muito bacana! Um beijo!

  2. Obrigada pelo comentário, Fábio.
    Realmente não li o livro e não sei o quanto é fiel, mas quando você assistir, me avisa sobre isso. 🙂
    Quanto à religião, realmente é algo próprio. Tentei ser o mais neutra possível na crítica, espero não ter ofendido.

    Beijo :*

  3. Oi, Mellissa. Não sei se você vai se lembrar de mim. Meu nome é Célio, sou do G1 e te conheci um pouco antes de você entrevistar a Octavia Spencer no Rio. Resolvi conhecer o seu trabalho e cheguei até aqui. Como não sabia como te contactar, deixei aqui essa mensagem. Li sua crítica sobre o filme e concordei contigo sobre a questão da linha temporal bagunçada, que só quem leu o livro vai entender as passagens de tempo. Enfim, deixo aqui os links das minhas matérias sobre a minha visão do filme, da coletiva da Octavia e da entrevista que fiz com ela. Se quiser me seguir no Twitter e no Instagram e bater um papo sobre cinema e outros baratos, o meu é @celiosj. Abcs.
    http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/a-cabana-fica-no-meio-termo-entre-mensagem-edificante-e-aula-de-catequese-g1-ja-viu.ghtml
    http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/a-cabana-oferece-esperanca-numa-epoca-desesperancosa-diz-octavia-spencer.ghtml
    Ah, sim. Também escrevo para os sites Ambrosia (ambrosia.com.br) e Cinema Para Sempre (cinemaparasempre.com.br). Dá uma olhada nas minhas críticas lá também.

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