corra

Se sua namorada te convidar para conhecer os pais dela: corra!

SEM SPOILERS

Quando um comediante se propõe a dirigir um filme de suspense, não soa muito promissor. Mas Jordan Peele conseguiu fazer um longa muito tenso e acima de tudo: angustiante e desconfortável.

Consigo visualizar elementos de A Chave Mestra de 2005, que também é uma produção da Universal Pictures e A Visita de 2015, dirigido por M. Night Shyamalan e produzido pela Blumhouse Productions, também responsável por Corra.

Chris Washington (Daniel Kaluuya) está preocupado em conhecer a família da namorada Rose Armitage (Allison Williams) pelo simples fato dela ser branca e ele, negro. Parece um tema atrasado para uma discussão em pleno 2017? Não é.

Life can be a sick joke

Rose é muito meiga e simpática, mas não podemos dizer o mesmo dos pais dela. O desconforto começa com o estranho comportamento da psiquiatra Missy Armitage (Catherine Keener), mãe de Rose.

As trocas de olhares entre ela e o marido Dean (Bradley Whitford) fazem você ficar com aquela pulguinha atrás da orelha. O sentimento piora com a chegada do irmão Jeremy (Caleb Landry Jones), um playboy mimado e provocador.

O que mais incomoda é o comportamento dos empregados da casa, Walter e Georgina, ambos negros. Eles tem movimentos robóticos e um olhar fixo que te deixa angustiado. Não há segredo aqui: você vai adivinhar boa parte do filme logo no começo. Mas o plot twist no final é QUASE digno de Shyamalan!

Black is in fashion!

As dicas para o mistério do filme vão sendo mostradas ao longo dos atos, mas são bem sutis então tente prestar bastante atenção. A trilha sonora é simples porém consegue dar o tom certo de suspense. O alivio cômico fica por conta do ótimo Rod Williams (LilRel Howery) e dá uma leveza necessária num filme com temas tão pesados.

A maneira como Chris é tratado durante uma festa com dezenas de pessoas brancas e ricas é tão desconfortável e tão vergonhosa que tenho certeza de que todos os presentes no cinema estavam se sentindo tão mal quanto o personagem. E a escolha deste tema não é aleatória, pode acreditar.

E o nosso veredito é …

Nota: 9/10

Há muito tempo eu não vibrava, me mexia na cadeira do cinema e sentia a angústia que eu senti neste filme. O propósito final é algo que pode ser discutido por anos, como uma questão ética. Recomendo muito a ida ao cinema no dia 18 de maio.

 

Criadora do Yada Yada, produtora de conteúdo, youtuber, podcaster. Fã do mundo do entretenimento nerd desde adolescente, tem como hobbies os filmes, seriados, livros e jogos. Sempre perde a cabeça com as promoções da Steam e é especialista em ficar pistola a qualquer momento do dia.