Desde o dia 17 de novembro está disponível na Netflix a primeira temporada de O Justiceiro. São 13 episódios que, definitivamente, você deveria assistir. E se ainda não assistiu, pelo menos, os três primeiros episódios e gosta de não ter nenhum spoiler recomendo que volte em breve.

Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal) está morto. Quem vemos em tela é Pete Castiglione, um sisudo trabalhador da construção civil que com um martelo em mãos golpeia uma parede que precisa ser derrubada, por meio de flashbacks percebemos que não é apenas a parede que está sendo golpeada, mas seu passado, as coisas que fez na guerra , além do sofrimento pela perda da família. Esposa, filha e filho aparecem a cada martelada que o resignado Pete dá sem descanso, como se quisesse expiar algum sentimento de dor e culpa que carrega.

Pete, em seu ritmo incessante de trabalho é caçoado e ameaçado pelos companheiros de trabalho, mas não responde, não revida, parece decidido em deixar para trás o passado de violência que o atormenta durante todo seu dia, acordando sempre assustado ao sonhar uma prosaica lembrança da esposa que sempre culmina com o assassinato da mesma em sua frente.

A busca por uma nova vida é interrompida, a violência chega até ele e novamente há sangue em suas mãos e mais, alguém sabe que ele está vivo e sabe dos crimes que ele cometeu na guerra. O disfarce parece não ser mais necessário, com cabelo e barba raspadas Frank Castle, o Justiceiro está de volta.

Porte de armas, traumas de guerra, justiça com as próprias mãos, conflitos étnicos e sociais, abusos e crimes de guerra cometidos pelas Forças Armadas americanas em solos estrangeiros. Além do arco do personagem título, a série traz luz a importantes e recorrentes debates nos EUA.

Presente na série a violência é uma constante, seja em cenas de execução sumária, boas sequências de lutas ou em ótimas cenas de guerra onde sangue não é economizado e a matança é quase tratada como dança, como na ótima sequência da emboscada à Frank no terceiro episódio, mas ela não é glamourizada. A violência não está ali para deleite e diversão, mas como causa imediata do sofrimento de Frank e tantos outros soldados.

A violência, portanto, tem peso, tem consequência como podemos ver, no que pode vir a ser dos mais importantes núcleos da série, um grupo de apoio à soldados veteranos das mais diversas e recentes guerras dos Estados Unidos. Desde “baboseiras sentimentais” à “lutei por esse país e não tem mais lugar para mim aqui” são alguns tópicos discutidos pelos membros. Um senhor afirma que liberais politicamente corretos querem tirar direitos e armas dos cristãos patriotas que são a minoria perseguida no país, enquanto panfleta sobre justiça com as próprias mãos usando uma camiseta da NRA (National Rifle Association), enquanto veteranos negros reclamam dessa velha ladainha.

O Grupo de Apoio, conduzido por Curtis Hoyle (Jason R. Moore), ex-soldado e companheiro de Frank na guerra, tem tudo para ser o espaço onde a série poderá mostrar que não veio apenas para adaptar um atormentado personagem de quadrinhos de 1974, mas, também, dialogar sobre problemas candentes da atualidade com uma nova geração de fãs de quadrinhos, heróis e anti-heróis.

O Justiceiro estreia em um ano que tem ultrapassado, tanto em episódios, quantos em vítimas, os casos de mass shootings nos EUA e isso não pode passar desapercebido. Os primeiros três episódios apontam que existe uma preocupação, veremos como isso se desenrolará.

 

Clique aqui e leia a segunda parte da análise.

Henrique Castro (ou Kpeta) é nerd e gosta de contar piadas, causos e trocadilhos, é psicólogo e professor, mas queria ser piloto de avião, rockstar e ter um podcast de ciências.

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.